POLÍTICA ♦ COMUNIDADE ♦ COPASA
26/02/2026 1 mês atrás
Conquista popular leva crise hídrica à ALMG: poços e outorgas entram na pauta estadual
Mobilização de moradores e do Movimento Todos Pela Água, com apoio da deputada Beatriz Cerqueira, garante audiência pública para apurar outorgas, possíveis irregularidades e riscos de superexploração hídrica



A crise hídrica que, desde a virada do ano, mobiliza moradores de São Tomé das Letras ultrapassou os limites do município e chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. No dia 5 de março de 2026, às 10h, a Comissão de Meio Ambiente da ALMG realiza uma audiência pública que deve colocar no centro do debate a situação da água na cidade, com foco especial no bairro Cantagalo, onde a ampliação de poços artesianos vem gerando crescente preocupação.
A audiência não surge por acaso. É resultado direto da mobilização popular, articulada pelo Movimento Todos Pela Água e por lideranças locais, que há meses denunciam a falta de transparência e de controle sobre o uso dos recursos hídricos. O requerimento foi apresentado pela deputada estadual Beatriz Cerqueira, formalizando a discussão em nível estadual e abrindo espaço para apuração de responsabilidades institucionais.
No centro da discussão estão as outorgas de uso da água — autorizações que permitem a captação hídrica — e os impactos socioambientais da perfuração de poços pela Copasa. A preocupação principal recai sobre a possibilidade de superexploração do aquífero que abastece o município, sem a devida transparência quanto a estudos técnicos.
O Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) já havia autorizado a perfuração de quatro poços para estudos na região do Cantagalo. Um deles foi executado ao lado da captação superficial da Copasa; outros dois estavam previstos em propriedades particulares; e o quarto, na área da Cachoeira do Flávio. Após a perfuração do primeiro poço, moradores interromperam o avanço das obras, levando à paralisação temporária das atividades. Na sequência, proprietários revogaram as autorizações concedidas em seus terrenos. No entanto, permanece em aberto a autorização referente à área pública da Cachoeira do Flávio, que ainda não foi formalmente revogada pelo poder municipal.
O Cantagalo, um dos bairros mais populosos da zona rural, já apresenta sinais de pressão hídrica. Moradores relatam e registram em foto a redução significativa do volume de cachoeiras e nascentes, em uma região que, além de sustentar a população local, também suporta uma forte demanda turística. Embora o sistema tenha sido projetado para atender cerca de 9 mil pessoas, a cidade chega a receber aproximadamente 30 mil visitantes durante a virada do ano, o que intensifica ainda mais a sobrecarga.
Esse desequilíbrio entre capacidade e demanda tem se refletido em episódios cada vez mais críticos. A virada de 2025 para 2026 marcou o terceiro ano consecutivo com problemas graves no abastecimento, incluindo interrupções que chegaram a durar cinco dias e atingiram inclusive a região central. O problema, que começou de forma mais localizada, já se expandiu e se agravou progressivamente.
Durante o último verão, multiplicaram-se relatos de moradores e turistas improvisando soluções para a falta d’água — desde banhos em espaços públicos até a busca intensa por galões. Houve registros de cancelamentos de hospedagens, turistas deixando a cidade insatisfeitos e um aumento atípico na oferta de imóveis para aluguel mensal após o carnaval. Embora essa oferta sazonal já ocorra tradicionalmente, o volume observado indica um movimento de retração e insegurança por parte de proprietários e investidores, que passam a questionar a sustentabilidade do modelo turístico local diante da instabilidade hídrica.
A importância do Cantagalo vai além do abastecimento: trata-se também de um dos principais atrativos naturais da região. Um eventual colapso hídrico, especialmente com impacto direto sobre cachoeiras e paisagens naturais, pode agravar ainda mais a crise no setor turístico, que já demonstra sinais de desgaste.
Nesse contexto, a audiência pública surge como um momento decisivo. A presença de representantes do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), responsáveis pela concessão e fiscalização das outorgas, do prefeito municipal, da presidência da Câmara e do Ministério Público de Minas Gerais indica que o encontro tende a ir além de uma simples exposição de problemas. A expectativa é que haja cobrança por dados concretos, esclarecimentos técnicos e definição de responsabilidades.
Também participam representantes da sociedade civil, incluindo integrantes da comunidade do Cantagalo, do Movimento Todos Pela Água e da Associação Água é Vida, que tiveram papel central na mobilização que levou o tema à esfera estadual. A audiência representa, assim, não apenas um espaço de debate, mas uma oportunidade concreta de trazer transparência a um tema que impacta diretamente a vida da população.
Ao levar a crise hídrica para o âmbito da ALMG, a mobilização popular transforma uma preocupação local em pauta pública estadual. O que está em jogo não é apenas o abastecimento imediato, mas a forma como a água vem sendo gerida — e se essa gestão será capaz de garantir sustentabilidade, equilíbrio ambiental e segurança para o futuro do município.





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