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08/03/2026 2 mêses atrás

8 de Março: Da Marcha das Mulheres de Petrogrado em 1917 ao Dia Internacional da Mulher reconhecido em 1975 pela ONU

A história revela como o poder matriarcal pode desencadear revoluções e transformar o curso da humanidade. Nesta data internacional devemos relembrar sua força, sua luta de mais de um século por direitos iguais e os milênios de repressão e objetificação que ainda persistem em nossos tempos.

Por Redação

Manifestação popular em Petrogrado durante os protestos que deram início à Revolução Russa de 1917. Foto: domínio público / arquivo histórico.

Foi em 8 de março de 1917 em Petrogrado, na Rússia, que milhares de mulheres protestaram por "pão e paz" durante a Primeira Guerra Mundial. O evento desencadeou uma onda de protestos que se tornou a Revolução Russa de 1917 e forçou o czar Nicolau II a abdicar no dia 15 do mesmo mês, apenas sete dias após o protesto.

O regime absolutista do czar era um estado policial com altos impostos para sustentar a nobreza. O povo passava fome e trabalhava de 12 a 14 horas, em especial nas fábricas das cidades industriais. Os salários eram baixos e as condições precárias, não conseguiam comprar nem o pão.

A ira popular contra a exploração explodiu em 8 de março e culminou em 17 de julho de 1918 na execução do autocrata. Esse feito histórico de bravura das mulheres russas na Primeira Guerra Mundial, foi capaz de desencadear protestos, mudar a história de uma nação e combater a fome.

Em 1921, na segunda Conferência Internacional das Mulheres Comunistas em Moscou, a revolucionária alemã Clara Zetkin e outras militantes propuseram fixar definitivamente a data de 8 de março. E depois, em 1975, ela foi reconhecida pela ONU, quando as Nações Unidas celebraram o Ano Internacional da Mulher.

Na América do Sul temos outro claro exemplo de quando mulheres romperam o véu do silêncio tecido por governos autoritários, compostos majoritariamente por homens covardes. Foi durante a ditadura militar na Argentina, em 1977, que um pequeno grupo de mães passou a se reunir na Praça de Maio, bem em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino. Elas protestavam pelos filhos desaparecidos e sequestrados pelas forças do Estado, sem qualquer explicação.

Como reuniões públicas eram proibidas pela ditadura, os policiais ordenaram que elas não permanecessem paradas. Assim, começaram a caminhar em círculos pela praça — gesto que se tornaria o símbolo do movimento. Entre elas estavam mães que haviam perdido seus filhos e outras mulheres que se solidarizaram com sua dor.

Em versões populares difundidas dessa história, conta-se que até mesmo mães de policiais — que eram as mãos do regime — teriam se juntado às Mães da Praça. Isso criaria um dilema simbólico: a quem o soldado obedeceria, às ordens do ditador ou à própria mãe?

Manifestação das Madres de Plaza de Mayo durante a Segunda Marcha de la Resistencia, em Buenos Aires, 9–10 de dezembro de 1982. Foto: Archivo Hasenberg-Quaretti / Wikimedia Commons.

As mulheres mostraram ao poder que ele não era absoluto e os soldados filhos da pátria ainda tinham mãe para lhe colocar limites. Para Eduardo Galeano, ele chamava “mátria” o sentimento de pertencer a um lugar. Enquanto a pátria costuma representar o poder político e todas as suas estruturas; a mátria se baseia nos vínculos humanos e afetivos, na memória coletiva, na cultura popular e no pertencimento cotidiano, não imposto pelo Estado.

A força historicamente demonstrada ainda não é uma batalha ganha, no Brasil mulheres ganham de 15% a 21% menos que os homens dependendo do setor, segundo o IBGE e relatórios do Ministério do Trabalho. Além disso, os números de feminicídio têm se mantido altos mesmo quando há baixas nas taxas de homicídio.

Tivemos o caso de abuso coletivo da jovem de 17 anos em 31 de janeiro deste ano no Rio de Janeiro, que foi imediatamente denunciado, mas o jurídico, ao ser pedido o mandado de prisão pela polícia civil, tardou três semanas para emití-lo. Ao chegar ao juíz, ele encaminhou para crimes domésticos e foi encaminhado de volta à justiça criminal, pois não se tratava de um crime doméstico. Após essa demora, alguns criminosos não foram encontrados e seguem foragidos.

Em dezembro do ano passado, também tivemos o caso, no distrito de Sobradinho, de Luana Leal, que teve 60% do corpo queimado e posteriormente faleceu internada. Ao ser socorrida, ainda consciente, contou à polícia que havia brigado com o namorado e que ele teria ateado fogo nela com um galão de gasolina.

O dia de 8 de março relembra um direito à igualdade reivindicado há mais de um século contra uma opressão de gênero perpetuada por milênios. Desde os tempos greco-romanos, a tão referenciada democracia ateniense não reconhecia o voto das mulheres, nem que eram aptas a participar das decisões como os homens. Apenas no começo do século passado o voto feminino começou a ser reconhecido pelo mundo, sendo no Brasil em 1932 durante o governo de Getúlio Vargas.

Não há de duvidar da força popular e da liderança feminina, pois não são apenas reformas que o mundo precisa para se manter. Da mátria há de nascer a esperança para um mundo sustentável, que a ética e o bem-estar coletivo sejam prioridade sobre a concentração exacerbada de pseudo-riquezas especulativas.

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