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05/05/2026 2 mêses atrás

Oficina on-line lança jogo colaborativo que propõe aprendizado prático em elaboração de projetos para editais

O jogo “Faísca” une prática, reflexão e colaboração para apoiar coletivos e instituições na transformação de ideias em projetos

Por Agência de Iniciativas Cidadãs

No próximo dia 13 de maio, às 19h, a AIC – Agência de Iniciativas Cidadãs lança o jogo “Faísca”, ferramenta desenvolvida para contribuir com processos formativos de coletivos e instituições para criação de projetos culturais. O lançamento ocorrerá no canal do YouTube da AIC em uma oficina, em que serão apresentadas formas de utilizar e jogar o Faísca. Os interessados devem se inscrever pelo formulário on-line disponível no link 

O “Faísca” nasce de uma necessidade de contribuir para que formações em escrita de projetos não sejam excessivamente técnicas e se aproximem dos repertórios culturais e das experiências cotidianas dos coletivos e instituições. Nesse sentido, foi concebido como uma ferramenta de facilitação voltada tanto à apresentação quanto à fixação de conteúdos, contribuindo para que integrantes de coletivos e instituições ampliem sua compreensão sobre projetos e editais de forma acessível e prática. O jogo valoriza o repertório prévio dos(as) participantes, ao mesmo tempo em que amplia referências sobre processos, ideias e linguagens recorrentes no universo dos editais. 

Encontro de teste do Faísca em que coletivos e instituições da RMBH contribuiram para aproximar a ferramenta de suas experiências com projetos para editais (Foto: Acervo AIC)

Objetivo do Faísca

O acesso aos editais de fomento à cultura nem sempre é fácil, simples ou acessível. Para muitos coletivos e instituições, os editais aparecem como caminhos marcados por exigências formais, linguagem pouco compreensível e regras desalinhadas com o fazer cotidiano da cultura. Ainda assim, os editais seguem sendo uma das principais portas de acesso a recursos, reconhecimento e continuidade de ações culturais. Compreender sua lógica, seus critérios e seus percursos é parte fundamental para o trabalho no setor cultural.

Soma-se a este cenário uma dificuldade de apropriação de conteúdos formativos, muitas vezes transmitidos de forma excessivamente técnica e distante do cotidiano, o que reforça uma desconfiança histórica em relação à submissão a editais, frequentemente percebidos como processos que podem comprometer a autonomia e a identidade cultural. Essa percepção não é infundada: ela se insere em um contexto mais amplo de marginalização, no qual o acesso a recursos costuma vir acompanhado de restrições, alimentando a ideia de que o financiamento é uma concessão, e não um direito cultural. 

Nesse sentido, a proposta do Faísca é criar um ambiente seguro para experimentar, errar, trocar experiências e construir aprendizados, ampliando possibilidades de acessar recursos e fortalecer iniciativas culturais alinhadas às realidades dos(as) participantes. Mais do que ensinar diretamente a escrever um projeto, o Faísca busca promover uma compreensão ampliada sobre todo o processo que envolve a escrita de projetos para editais.

Ao longo do jogo, as e os participantes entram em contato com boas práticas, limitações, critérios de avaliação e diferentes circunstâncias que podem facilitar ou dificultar o desenvolvimento de uma proposta. Esse entendimento é fundamental porque qualifica a relação dos participantes com os editais, mesmo quando eles não são os responsáveis diretos pela escrita. Ao compreender como o processo funciona, tornam-se mais preparados para contribuir de forma crítica e estratégica, apoiar a construção coletiva e tomar decisões mais conscientes dentro de seus coletivos ou instituições. 

O nome do jogo traduz essa essência: escrever projetos é como acender uma fogueira. Começa com pequenas faíscas e exige prática, repetição e paciência — um processo de aprendizado contínuo, feito de tentativas, erros e ajustes. Com o tempo, aquilo que parecia complexo se torna mais fluido, quase intuitivo. Nesse sentido, a faísca, assim como o jogo, representa o início de algo possível: um ponto de luz, uma ignição que impulsiona ideias a ganharem forma e seguirem adiante.

Criação colaborativa

O “Faísca” foi viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) – Edital nº 05/2024, número ID 7776, no projeto “Fortalecendo Raízes: Capacitação em Projetos Culturais”, executado pela AIC, que conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais/Governo de Minas Gerais, e realização por meio do Ministério da Cultura e o Governo Federal.

Sua construção foi realizada um processo formativo colaborativo, envolvendo 10 coletivos e instituições de comunidades afro-brasileiras e de culturas populares, tradicionais e periféricas da Região Metropolitana de Belo Horizonte: Ilê Asé Oyá Kurugesi, Quilombo Mangueiras, Guarda de Congo Nossa Senhora do Rosário de Mocambeiro, Associação Capoeira Novo Diamante, FavelArte, Irmandade dos Atores de Pandega/Coletivo Treme Terra Capoeira Angola, Reinado Treze de Maio, Irmandade “Os Ciriacos”, Coletivo Lamparina e UaiLab.

Ao longo desse percurso formativo, o jogo foi testado, ajustado e aprimorado a partir das experiências e contribuições dos próprios participantes, consolidando-se como uma ferramenta enraizada em práticas coletivas e saberes diversos.

Coletivos e Instituições de comunidades afro-brasileiras e de culturas populares da RMBH participaram da criação do Faísca (Foto: Acervo AIC)

Serviço:

Oficina de lançamento do jogo “Faísca”

Data: 9 de maio, às 19h

Local: YouTube da AIC – Agência de Iniciativas Cidadãs

Inscrições: formulário on-line https://bit.ly/inscricaofaisca

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