23/02/2024 2 anos atrás
Chico Taquara: Lendas e mistérios na montanha de pedra
Há décadas, a figura de Chico Taquara povoa o imaginário popular de São Tomé das Letras, trazendo à tona a imagem de um velho ermitão que habitava tocas e cavernas da região. Sábio e humilde, ele se diferenciava de todos, pelo seu modo de ser e por seu estilo de vida único.



A Eubiose e os intraterrestres
Há muito esse personagem folclórico que é Chico Taquara povoa o panteão das figuras populares de São Tomé das Letras-MG. Primeiramente, seu nome nos chegou através das narrativas da Sociedade Brasileira de Eubiose (SBE) - sediada na cidade de São Lourenço-MG (possuindo uma filial em São Tomé das Letras) que há algumas décadas disseminou informações sobre este misterioso homem que teria passado por São Tomé das Letras na virada do século 18 para o 19.
Os eubióticos acreditam na existência de civilizações intraterrestres, que seriam constituídas de criaturas idênticas aos humanos, mas podendo usufruir de certos “poderes” conquistados ao longo dos tempos, os quais seriam ainda incompreensíveis à nossa civilização.
Sendo assim, de acordo com eles, os intraterrestres seriam antiquíssimos e muito mais evoluídos que os terrestres conhecidos. Justamente, porque teriam tido mais tempo que o homem moderno para realizar descobertas incisivas em prol de sua civilização. Entre estas benesses dos extraterrestres estaria o poder de se viver por muitos anos, além da média normal dos homens da superfície, como parece ser o caso de Chico Taquara, que teria atravessado muitas décadas de vida. Se aparentando como um homem idoso, de barbas e cabelos grisalhos e longos, Taquara demonstrava deter certa sabedoria (ou talvez, domínio) sobre a vida de homens e animais.
A SBE acredita que no subsolo da cidade de São Lourenço (situada relativamente próxima a São Tomé das Letras) exista uma evoluída cidade intraterrestre, como nos contou um adepto da Eubiose. Eles acreditam que, a localidade de São Tomé das Letras, encravada no alto de uma montanha de quartzito, se localiza sobre um dos sete pontos energéticos do planeta.

Taquara em São Tomé
E dentro dessa narrativa sobre os mundos intraterrestres, Chico Taquara nascera na cidade, mas teria sido criado por uma família intraterrestre e somente anos depois, após se tornar adulto, ele teria voltado à superfície e se apresentado à comunidade local. Diz-se que ele teria nascido em 1840 e teria convivido com a comunidade letrense entre o final do século 18 até o início do século 19, tendo desaparecido misteriosamente em 1916.
A mãe de Chico Taquara teria dado à luz a ele numa gruta local, quando se achava escondida do marido e onde teria mantido contato com seres intraterrestres que a convenceram e levaram sua criança com eles, pelo próprio bem do menino, segundo disseram a ela.
Conta-se que a mãe de Taquara estava grávida e teria se refugiado nesta gruta para fugir das agressões de seu marido que a maltratava. Mas ao voltar para casa sem o filho, ela explicou ao marido que o bebê fora levado por “umas pessoas estranhas”, mas que inspiraram muita confiança a ela. Conforme contado, o pai teria aceitado o misterioso sumiço do menino e o casal seguiu vivendo sem mais desavenças. Somente muitos anos depois, já idoso, Taquara teria surgido novamente na comunidade de São Tomé das Letras e convivido com seus moradores.

O que nos conta Oriental Noronha
A partir das narrativas trazidas pelos eubióticos, esse misterioso personagem também ganhou as páginas de livros do saudoso pesquisador e ufólogo local, Oriental Luiz Noronha, mais conhecido na comunidade como Tatá Noronha. Chico Taquara é destaque em seus livros, “A história de Chico Taquara” e “São Thomé das Letras e o Mundo Subterrâneo”, onde são narradas passagens interessantes do misterioso ermitão.
Para Noronha, Taquara conhecia, sem dúvida, os caminhos (através de grutas e túneis locais) que levavam às sociedades subterrâneas. Inclusive, em um de seus livros, o autor narra também sobre sua experiência pessoal, onde se projetou a um estranho lugar onde esteve, como se tivesse “atravessado um portal para outra dimensão”.
Consta em sua obra que Chico Taquara se relacionava muito bem com a comunidade local. Quando passou por estas terras a comunidade ainda era muito pequena e deveria ter poucas centenas habitantes. Chico era admirado pelos moradores locais e visto como uma pessoa “diferente”. Segundo consta, ele usava mel para hidratar seus longos cabelos, era curandeiro e realizava curas com plantas, utilizando também orações em línguas desconhecidas. Dizem que ele atraia e se comunicava com os animais. Era comum vê-lo com pássaros ao seu redor onde quer que ele fosse.

Pelas matas e tocas da região
Chico Taquara não possuía residência própria, era um ermitão que vivia de maneira nômade pelas matas e pedras da região. Dizem que ele esteve ocupando tocas de pedras (abrigos naturais) em várias regiões da cidade. Algumas dessas tocas se tornaram pontos turísticos ao serem reconhecidas como suas moradias temporárias. Uma delas está localizada perto da Pedra Furada, próxima ao centro da cidade. Esta contém, inclusive, antigas inscrições em suas paredes. Outra se encontra no bairro da Picada [imagem acima], onde há também inscrições nas paredes. De acordo com a intensidade do vento e as estações do ano, ele se mudava entre estas tocas, procurando sempre se proteger das intempéries meteorológicas.
Diferenciando-se da maioria, Chgico Taquara sempre era bem visto na comunidade e mantinha um denodado carisma entre os moradores, sempre interagindo com eles. Para muitos destes moradores antigos, Taquara foi um homem iluminado, detentor de alta espiritualidade e uma boa alma, muito evoluída.
A partir de meados da segunda década do século 20, Chico Taquara desapareceu sem deixar aviso prévio. Alguns acreditam que ele teria voltado ao povo subterrâneo que o havia criado. Outros pensam que ele ainda possa estar por aí, se escondendo entre as pedras e não mais se deixando ver.
Uma lenda para alguns ou fato para outros, a figura mítica de Chico Taquara segue dividindo opiniões neste sentido. Fato é que se tornou uma rica figura do folclore e da cultura local. Seu estilo de vida e comportamento únicos arrebatam o fascínio de todos que puderam conhecer um pouco da sua misteriosa história, a qual - acreditam alguns - ainda não chegou ao fim.
* Pepe Chaves é jornalista e editor do Jornal São Tomé Online e da Rede Zinesfera de portais.
- Imagens: Divulgação / Acervo JSTO.





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