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02/05/2026 30 dias atrás

Crônicas da Montanha: Gentileza sempre vai gerar gentileza

A boa relação entre turistas, moradores e comerciantes em uma pequena cidade turística como a nossa, se torna essencial para o crescimento mútuo e a formação de uma boa imagem turística local. Desta forma, educação, bons modos e cortesia se toram um cartão de visitas do lugar.

Por Pepe Chaves

Chamado de Profeta Gentileza, ele levou sua mensagem de paz e prosperidade a várias comunidades do nosso país: vale a pena ser gentil.

Que seja bom para todos os envolvidos

Numa pequena cidade turística como a nossa, a gentileza entre as pessoas pode fazer toda a diferença. A cordialidade, o respeito, a gentileza e a ética são pontos essenciais para o bom relacionamento humano, seja dentro das famílias e grupos de amigos ou na interatividade da cidade com seus turistas e vice versa.

Tratar bem os seus clientes, não é só uma obrigação de todo e qualquer comerciante, mas a base de todo o relacionamento comercial. Por sua vez, o consumidor também sendo educado e cordial, pode até se criar um vínculo maior no futuro entre este e o comerciante.

Desta maneira, a boa educação e a gentileza se tornam uma via de mão dupla para uma relação saudável, como vamos expor a seguir. E em uma cidade pacata como São Tomé das Letras isso torna uma espécie de diretriz informal.

Assim, em toda cidade pequena, a relação entre turistas, moradores e comerciantes tende a ser muito mais próxima e humana do que em grandes destinos turísticos. Isso pode gerar experiências extremamente positivas — ou conflitos delicados — dependendo da forma como cada grupo se comporta. O equilíbrio saudável depende principalmente de respeito, empatia e compreensão mútua.

O bom turista é o maior investidor na cidade

O turista deve ser visto como visitante, não como “dono do lugar”. Quem visita uma cidade pequena normalmente busca justamente aquilo que ela tem de especial: tranquilidade, cultura local, natureza, tradições, simplicidade e autenticidade. Por isso, o turista ideal é aquele que entende que está entrando em um espaço vivo, onde existem moradores com rotinas, costumes e necessidades próprias.

E tenho visto, especialmente nos últimos feriados desse ano, uma verdadeira algazarra por parte de determinados turistas que chegam à nossa cidade. Alguns alugam residências por temporada e, por vezes, promovem festas barulhentas, com música alta, gritos e até palavrões pela madrugada.

E ocorre que, infelizmente, alguns turistas parecem pensar que, o fato de ter pagado para estar na cidade, lhes dão o direito de invadir a privacidade e a paz dos moradores. Ultimamente, tem sido comum algazarras de turistas durante a noite ou a madrugada, em total desrespeito ao descanso e ao sono dos moradores.

Algumas atitudes importantes do turista seria, respeitar horários de silêncio e descanso; evitar comportamentos arrogantes ou invasivos; não tratar moradores como “atrações” ou empregados; valorizar a cultura e o costumes locais sem tentar impor hábitos de grandes centros, por exemplo; consumir de forma consciente, ajudando a economia local e preservar natureza, patrimônio histórico e limpeza urbana, recolhendo o seu lixo, não o deixando espalhado em espaços ou vias públicas.

Em cidades pequenas, um turista educado costuma ser lembrado positivamente por muito tempo. O contrário também acontece: comportamentos desrespeitosos rapidamente se tornam conhecidos entre os moradores locais.

Moradores e comerciantes fazendo sua parte

O morador, como anfitrião consciente, precisa compreender que o turismo frequentemente sustenta parte importante da economia local. Em muitos municípios pequenos, hotéis, pousadas, restaurantes, artesanatos, guias e comércio dependem diretamente da presença de visitantes.

Isso não significa que a cidade deva “se vender” ou abandonar sua identidade, mas sim encontrar formas saudáveis de convivência. Desta maneira, uma postura positiva dos moradores inclui, receber visitantes com cordialidade; compartilhar informações e tradições com orgulho; evitar hostilidade generalizada contra turistas; cobrar respeito sem agressividade; defender a cultura local sem xenofobia ou elitismo.

Em muitos lugares turísticos pequenos, surge um fenômeno contraditório: a cidade depende economicamente dos visitantes, mas parte da população passa a rejeitá-los devido a excessos, barulho, especulação imobiliária ou mudanças culturais. Esse desgaste precisa ser debatido coletivamente.

Nesse contexto, os comerciantes têm um papel fundamental, pois se encontram em uma posição central nessa relação. Funcionam como ponte entre moradores e turistas. São eles que frequentemente moldam a primeira impressão do visitante sobre a cidade.

Por isso, o ideal é que os comerciantes pratiquem preços justos; evitem explorar turistas por serem “de fora”; valorizem produtos e produtores locais; incentivem o turismo responsável e tratem moradores e visitantes com igualdade.

Em cidades pequenas, o comércio excessivamente voltado apenas ao turista pode gerar ressentimento entre os habitantes locais, principalmente quando os preços sobem e os moradores passam a sentir que perderam espaço em sua própria cidade.

E preservar a identidade local é sempre grande desafio, pois toda cidade turística pequena vive um dilema delicado: como crescer economicamente sem perder sua alma?

Faturar sem vender a própria alma

Quando o turismo cresce de forma descontrolada, podem surgir problemas como o aumento exagerado de preços; a descaracterização cultural; barulhos e poluição; excesso de construções; conflitos entre moradores e visitantes; turismo predatório ou “de farra”.

Por outro lado, um turismo bem organizado pode gerar empregos; preservar o patrimônio histórico; fortalecer cultura e artesanato; incentivar gastronomia regional; melhorar a infraestrutura urbana.

Enfim, o segredo está no equilíbrio. A relação saudável em uma pequena cidade turística depende de o turista agir com humildade e respeito, assim como o morador deve agir com hospitalidade e firmeza e o comerciante deve agir com honestidade e responsabilidade.

Além disso, o poder público deve organizar regras claras para preservar qualidade de vida e a sustentabilidade.

Quando isso acontece, o turismo deixa de ser apenas uma atividade econômica e passa a ser uma troca cultural verdadeira, onde todos ganham, pois quem visita leva experiências autênticas e quem mora no lugar mantém sua dignidade, identidade e bem-estar.

E assim, como dizia um velho poeta: “gentileza gera gentileza” (Profeta Gentileza/1917–1996).

* Pepe Chaves é editor da ZINESFERA - Rede de Portais Integrados e do Jornal São Tomé Online.
- Imagem: Divulgação.

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