MEIO AMBIENTEAGROTÓXICO

15/07/2025 10 mêses atrás

Glifosato, o “mata-mato”

Desvendando sua atuação nos seres vivos e os perigos reais que ele pode oferecer

Por Rafael Vidal

Se tornou cada vez mais comum desde sua implementação na década de 70 ver o glifosato – carro-chefe da Monsanto (agora comprada pela Bayer) vendido com o nome comercial de RoundUp ou “mata mato” – substituir os demais defensivos agrícolas e ser usado nos quintais e calçadas para eliminar plantas indesejáveis. Sua popularidade cresceu devido a sua praticidade e um grande investimento em publicidade na qual alega ser de uso seguro. “Menos prejudicial que o sal da sua mesa”, chegaram a afirmar.

A questão é que até que ponto as informações fornecidas pela própria Monsanto, agora compra pela Bayer, são confiáveis. Ainda na década de 70, Industrial Biotec Laboratories que foi responsável pelos testes que aprovaram o glifosato nos Estados Unidos caiu com fraude nestes mesmos testes. Na década de 80, já havia pressão da comunidade científica para classificá-lo como carcinogênico. Em 1991, Kraven Laboratories também foi incriminado falsificando testes entre eles para o glifosato. Em 2001, se fundou a CropLife uma associação internacional de companhias agroquímicas para defender seus produtos e está mesma tem contribuído com partidos políticos fazendo alianças para manter seus interesses. Em 2003, toxicologista-chefe da Monsanto escreveu em e-mail que não poderiam afirmar que não era carcinogênico, pois não haviam feito testes suficientes para afirmar.

Depois de muito vir a luz e ser encoberto o potencial destrutivo deste agrotóxico, em 2014 as evidências repetidas ao redor do mundo levaram a Organização Mundial da Saúde a fazer uma revisão IARC do produto que levou a considerar essa substância como um possível carcinogênico. A OMS não pode afirmar com certeza que a substância em questão causa câncer pois por seu regulamento isso só seria possível se mantivessem cobaias humanas isoladas em contato com essa substância para testar os efeitos. Com a ética científica que pretendemos preservar só é possível classificar uma substância como possivelmente carcinogênico.

Com esse quadro a Monsanto foi acusada de “crime contra a humanidade” e “Ecocídio” no tribunal de Hague em 2016. Mas essa multinacional - já consagrada por uma história de produtos que marcaram a história da contaminação do planeta: os DDTs, PCBs, agente laranja e dioxinas – consegue se esquivar das acusações e continuar promovendo mais um “grande carro-chefe”.

A questão mais séria é que existe um abismo entre os riscos reconhecidos e os riscos reais deste defensivo que são cientificamente comprovados. Você provavelmente já ouviu falar em aminoácidos, são pequenas estruturas moleculares que são usadas pelo nosso corpo para fazer proteínas. Proteínas são quase tudo no nosso corpo: dos tecidos que compõe todos os órgãos, esqueleto e músculos até a nossa pele; as enzimas que usamos para digerir e metabolizar tudo em nosso organismo.

Agora voltando ao assunto, “glifosato” tem o prefixo gli quem vem de “glicina”; e “fosato” se refere ao fosfato adicionado. Glicina é o menor dos aminoácidos presentes no ser humano e nas plantas. Ela é essencial no processo da fotossíntese, uma planta quando intoxicada com glifosato usa esse “aminoácido falso” para fabricar suas proteínas se tornando incapaz de absorver a luz solar e morre. A sua semelhança é tanta com o aminoácido original que nem as plantas nem os animais - entre eles os humanos – são capazes de diferenciar e incorporam nas suas proteínas.

Nos seres humanos os danos dependendo da quantidade ingerida podem ser severos, os danos são acumulativos e não se sabe até que ponto são reversíveis. Uma das principais funções da glicina é trabalhar na contração de músculos, quando construídos com glifosato perdem sua eficiência. Além da perda na força muscular, os ossos que sofrem do mesmo ficam fragilizados. O intestino contaminado pode vir a perder o movimento peristáltico e até chegar romper as paredes vazando o conteúdo dentro do corpo o que provoca inúmeras infecções na região. Também foram constatados danos cerebrais devido ao rompimento da barreira que delimita o sangue no cérebro.

Nossa principal arma contra o descaso é a informação. Enquanto nós aqui no Brasil sofremos com uma política permissiva a todo tipo de contaminação e não podemos esperar ao custo de nossa saúde que o poder público se esclareça e se compadeça pela população, devemos fazer o nosso possível para a verdade sobre esse “inofensível” defensivo vir a tona. Compartilhe a informação, pressione as autoridades locais. Esclareça as autoridades que você está ciente sobre os riscos dessa substância.

Provavelmente, você pode se preocupar de estar consumindo esse veneno no seu dia a dia e o mais provável é que o glifosato já faça parte do seu corpo. Apenas os alimentos orgânicos estão livres desse contaminante. Os animais que consomem glifosato tem a carne, ovos e leite contaminados. Evitar se contaminar completamente pode ser impossível para algumas pessoas ou muito custoso, nesses casos devemos optar por minimizar o consumo. Os produtos com maior aplicação deste agrotóxico são os geneticamente modificados para ser imune aos seus efeitos, conhecidos como “RoundUp Ready”. São eles a soja, milho, canola, trigo, açúcar.

Se você faz uso doméstico do “mata-mato”

Saiba que você pode economizar e poupar o meio ambiente e a sua saúde usando soluções alternativas, baratas e caseiras. Os matos são facilmente eliminados usando água fervendo ou com um preparo caseiro de vinagre, sal e sabão. Para fazer esse preparo basta misturar 3.5L de vinagre, 250ml de sal e duas colheres sabão. E é só aplicar como se faria com o “mata mato” comprado.

Referência externa

- Stephanie Seneff, PhD, do MIT CSAIL, apresenta "O herbicida 'SEGURO' que está nos deixando todos doentes!" Os três décadas de rigor científico de Seneff somam-se a um crescente corpo de pesquisas independentes que expõem a realidade tóxica do herbicida e biocida favorito da América: o RoundUp da Monsanto.

Stephanie Seneff, PhD on Glyphosate - RoundUp - Poisoning

- O Dr. Jin Sung é um médico quiroprático especializado no tratamento de doenças crônicas complexas em Massachusetts, 30 minutos ao norte de Boston. Ele utiliza terapias naturais e alternativas para ajudar a tratar casos complexos, como Hashimoto, doenças autoimunes, SII, SIBO, fadiga crônica, confusão mental, Alzheimer precoce, etc.

Glifosato: Herbicida ou TOXINA?

- Entrevista com Marie-Monique Robin, jornalista investigativa, escritora e cineasta.

Glyphosate: 'The most toxic product ever invented by man'

- A diretora, a francesa Marie-Monique Robin, baseou seu filme - e um livro de mesmo título - na empresa com sede em Saint-Louis (Missouri, EUA), que, em mais de um século de existência, foi fabricante do PCB (piraleno), o agente laranja usado como herbicida na guerra do Vietnã, e de hormônios de aumento da produção de leite proibidos na Europa.

O Mundo Segundo A Monsanto -- Completo e Dublado Português

- Documentário sobre as manobras defensivas da Monsanto para defender o seu produto.

The secret tactics Monsanto used to protect Roundup, its star product | Four Corners

- De onde veio a receita do substituto caseiro para o glifosato.

How I Got My Neighbor to Stop Using Roundup & His Organic Weed Killer Alternative that Really Works

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