06/03/2024 1 ano atrás
Arte sacra: A imagem furtada do apóstolo Tomé
Objeto de lenda que nomeou o município, a histórica imagem do século 18 do apóstolo Tomé foi roubada da igreja matriz de São Tomé das Letras em 1991 e jamais foi encontrada.



A imagem que nomeou a cidade
Era uma imagem do século 18, cunhada em madeira mostrando a figura de um homem com uma lança numa mão e um livro na outra. Por ser parecido com o apostolo Tomé, a igreja católica, dominante na época do surgimento da imagem, sugeriu que esse homem fosse o próprio apóstolo de Jesus.
Assim, ainda no Brasil colonial, o município ganhou o seu nome em homenagem ao apóstolo Tomé, acompanhado “das Letras”, referentes às antigas inscrições impressas na parede da gruta onde a imagem foi encontrada. Em 1770 este belo objeto de madeira teria sido encontrado por um escravo fugitivo, de acordo com a conhecida lenda de São Tomé das Letras [veja matéria nesse jornal].
Segundo essa lenda, o escravo se chamava João Antão e o seu senhor era João Francisco Junqueira, um português que recebeu da Coroa muitas terras na região, se tornando um rico e influente fazendeiro. Seus filhos também se tornaram prósperos fazendeiros, sendo um deles, Gabriel Francisco Junqueira, mais tarde intitulado Barão de Alfenas, sendo considerado benemérito local.
O escravo, o apóstolo e a imagem
Acusado de assediar a filha de seu senhor, Antão se refugiou nessa gruta que hoje fica ao lado da igreja matriz da cidade e ali, teria se encontrado um homem vestido de branco e com aparência diferente.
O estranho então pediu ao escravo para levar uma carta ao seu senhor, o que ele fez, com muito medo de voltar a ser preso, mas convencido pelo estranho que nada de mal iria lhe acontecer. Ao entregar a carta a João Francisco, ele a leu e se admirou com a escrita perfeita, fato raro naquela época. João Francisco então pediu a Antão para levá-lo até o local em que se encontrava a imagem. Mas lá chegando, o estranho não mais se encontrava. Porém, havia no interior da gruta uma imagem de madeira retratando as feições do homem com quem o escravo se encontrara.
Esta imagem, posteriormente (considerada pela igreja como uma representação do apóstolo Tomé) foi levada por João Francisco até a sua residência e este fato o motivou à construção de uma capela em um terreno de sua propriedade, ao lado dessa gruta, por volta de 1770. Hoje neste local se encontra a praça e a igreja matriz de São Tomé das Letras.
Mais tarde, em 1785, foi iniciada neste mesmo local a construção da atual igreja matriz, com o apoio de seu filho, Gabriel Francisco Junqueira (Barão de Alfenas), que nela foi enterrado.
Símbolo maior da cidade é roubado em 1991
A imagem em madeira do apóstolo Tomé [veja imagem acima] encontrada na gruta era guardada na igreja matriz de São Tomé das Letras, até ser furtada do altar em 1991 e desaparecer para sempre. Na época, uma intensa campanha foi feita por algumas autoridades em grande parte do estado e até do país, na tentativa (em vão) de se recuperar a imagem de São Tomé.
Uma das tentativas de recuperação da imagem de São Tomé original foi imprimir, na época, a sua foto nas contas da Cemig (concessionária de energia elétrica). Mas foi em vão. A imagem que não tinha nenhuma segurança ou precaução contra roubo era um objeto pequeno, portanto, fácil de ser furtado. Devia medir apenas de 25 a 30 cm de altura.
Fato é que até hoje nenhuma autoridade da cidade ou do estado soube explicar como se deu o sumiço dessa imagem secular e tampouco, onde ela poderia se encontrar atualmente. Após o furto, uma réplica da imagem original foi colocada no altar da igreja matriz.

Contrabando e coleção de peças sacras
Além de se tratar de uma rara obra de arte do século, 18, objeto de uma lenda e adorada por fiéis católicos, a imagem do apóstolo Tomé era também o símbolo de toda uma sociedade. Uma imagem histórica que nomeou a cidade e que hoje poderia estar sendo admirada por todos, foi arrancada de uma igreja pela ganância humana.
Sabe-se que o mercado de peças sacras roubadas no Brasil é antigo e constante. Diversos objetos religiosos subtraídos de capelas e igrejas de todo o país vão parar nas mãos de contrabandistas e colecionadores. Muitos desses artigos furtados são alvos de contrabando e seguem também para o mercado internacional, especialmente para a Europa, onde as peças são muito valorizadas por colecionadores.
Autoridades buscam por 730 peças
De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), 730 peças sacras já foram levadas de igrejas, capelas e museus do estado. Em sua maioria, são peças raras, verdadeiras obras de arte, cunhadas ou esculpidas nos séculos 18 e 19.
Segundo o MPMG, 60% dos bens culturais sacros foram deslocados de suas origens de forma indevida, indo parar nas mãos de colecionadores e antiquários mineiros, fluminenses e paulistas. Atualmente, 730 peças sacras são procuradas pelas autoridades estaduais de defesa do patrimônio cultural.
Entre os objetos religiosos procurados há décadas pelas autoridades mineiras estão o Cativo (século 18), furtado em 1994 do Museu Regional do Sul de Minas, em Campanha, Sul de Minas; Nossa Senhora do Bom Sucesso (séc. 18), em 1994 da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Sucesso, em Serranos, no Sul; Santana Mestra (séc. 18), em 1997 da Igreja Matriz de Santana, em Inhaí, Diamantina, no Vale do Jequitinhonha; São Miguel Arcanjo (séc. 18/19), em 2003 da Igreja Matriz de São Caetano, em Mariana, na Região Central; Nossa Senhora da Conceição (séc. 19), em 2003 do Museu de Arte Sacra Dom José Medeiros Leite, de Oliveira, no Centro-Oeste; Apóstolo Tomé (séc. 18), em 1991 da Igreja Matriz de São Tomé das Letras, no Sul do estado.

Como denunciar peças sacras furtadas
Quem tiver informações sobre peças sacras desaparecidas pode acionar o MPMG, através dos seguintes contatos:
Ministério Público de Minas Gerais
E-mail: cppc@mpmg.mp.br ou telefone (31) 3250-4620. Pode também enviar correspondência para: Rua Timbiras, 2.941, Bairro Barro Preto, Belo Horizonte-MG. CEP 30.140-062.
* Pepe Chaves é editor da Rede ZINESFERA de portais e do Jornal São Tomé Online.
- Com informações de MPMG, Iepha, com agências de notícias.
- Imagens: Gabriel Ferrer (reprodução); Iepha/MPMG/divulgação.





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