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19/01/2026 3 mêses atrás

Pedra São Tomé: Da utilidade à extração do quartzito

A Pedra São Tomé (quartzito) é hoje um grande atrativo para a construção civil. No entanto, sua extração causou marcas irreversíveis no paisagismo, na natureza e na vida dos habitantes da nossa região.

Por Redação

As distintas nuances de cor e texturas da Pedra São Tomé.

Rochas que afloram do chão

Os cenários de pedras cársticas (pontiagudas e ou deformadas) de São Tomé das Letras nos remete aos milênios passados, em que a ação da água, do vento, da gravidade e do tempo atuou sobre a geografia local. Uma paisagem cárstica é aquela em que dolinas, torres, fissuras e outras características naturais foram criadas pela erosão do calcário ao seu redor, mostrando formações decompostas por efeitos diversos.

E aqui no município de São Tomé das Letras, esta ação que fez aflorar as rochas quartzíticas locais, também produz fenômenos únicos, como a formação de cavernas e grutas, algumas das quais, já destacamos em matérias especiais deste jornal, como a Gruta da Bruxa, Gruta do Índio, Gruta do Carimbado e Gruta do Feijão, entre outras.

Exploração da Pedra São Tomé (quartzito)

Mas toda essa paisagística de beleza natural única dessa região, incluindo suas grutas, cavernas, tocas, nascentes e ribeirões se viu ameaçada a partir da década de 1940, quando um geólogo de passagem por São Tomé das Letras constatou que o topo dessa montanha era constituído por uma enorme rocha de quartzito. Ele então apontou para a potencial exploração desta pedra, por suas características e propriedades únicas, especialmente para uso na construção civil.

Desta maneira, a partir da década de 1940, se iniciou pelas cercanias da cidade as primeiras extrações, ainda não mecanizadas, desse mineral. O quartzito de São Tomé das Letras, popularmente conhecido como Pedra São Tomé, é uma rocha metamórfica de altíssima qualidade, famosa por sua resistência, beleza e características térmicas exclusivas.

Com o passar dos anos, a mineração foi se mecanizando e se intensificou, resultando na abertura de várias pedreiras para a extração e comercialização desse mineral, então enviado a várias regiões do país. Há décadas essa pedra é comercializada para uso em alvenaria, especialmente, revestimentos e outros aproveitamentos em construções civis.

Detalhe do revestimento de uma parede utilizando textura criada com a Pedra São Tomé.

Características principais do quartzito

Atermia (Não esquenta): É a característica mais marcante da pedra. Mesmo sob sol intenso, ela retém muito pouco calor, tornando-a ideal para áreas de piscina, fachadas e calçadas.

Composição e dureza: É uma rocha 100% natural, composta quase inteiramente por quartzo (mais de 75%), o que lhe confere grande dureza (nível 7 na Escala Mohs) e alta resistência a riscos e intempéries.

Antiderrapante: Possui textura natural que impede deslizes, sendo segura para áreas molhadas.

Baixa absorção: Tem baixa porosidade, o que a torna mais resistente a manchas e ao mofo, especialmente quando comparada a outros materiais.

Tonalidades: A cor predominante é branca/clara, mas pode apresentar variações amareladas (pedra São Tomé amarela) ou levemente avermelhadas.

Uso na Construção e Arquitetura

Áreas externas: É o uso mais comum, em piscinas, varandas, garagens, pátios e fachadas.

Revestimentos: Muito utilizada em filetes (pequenas tiras) para fachadas, muros e detalhes internos, proporcionando um ar rústico e sofisticado.

Calçamento: Utilizada em formato de lajotas (cacos) para calçadas e pátios.

Pedra sobre pedra: Utilização na construção de paredes ou muros, onde as pedras são encaixadas sem o uso de argamassa ou outro tipo de colante. Um exemplo desse tipo de construção é a Igreja do Rosário, situada em São Tomé das Letras.

A Igreja do Rosário é um exemplo de construção pedra sobre pedra, sem o uso de argamassa. Residências e comércios locais também adotaram esse tipo de construção.

Origem, localização e produção

Exclusividade geográfica: A verdadeira Pedra São Tomé é extraída apenas na região de São Tomé das Letras, em Minas Gerais. A cidade construída sobre uma montanha de quartzito tem sua economia atrelada à indústria de extração da pedra – e agora também ao turismo, que vem tendo um crescimento surpreendente nas últimas décadas.

Indicação geográfica (IG): Em 2024, o INPI concedeu o registro de “Indicação Geográfica” para os quartzitos da região de São Tomé das Letras, reconhecendo a reputação e as características exclusivas do material.

Como material da construção civil: O quartzito de São Tomé das Letras é considerado um material “Premium”, muito valorizado por arquitetos e paisagistas devido à sua durabilidade e estética natural.

Detalhes de “montanhas de rejeitos” da mineração, deixadas em vários pontos urbanos e rurais do município.

O impacto ambiental causado pela extração

Em São Tomé das Letras, a intensa atividade da mineração nas últimas décadas tem gerado discussões e levantado fiscalizações sobre a degradação de grutas e cavernas, além do meio ambiente em torno dos locais de extração.

Por conta da mineração, vários cursos d’água e nascentes já foram desviados ou simplesmente soterrados ao longo das últimas décadas. Em determinados locais, a extração alterou drasticamente a paisagem natural, com a criação de imensos depósitos de rejeitos da mineração. Com isso, foi produzida uma evidente poluição visual, apresentando montanhas de pedras amontoadas e abandonadas em locais distintos do município.

Além disso, a mineração indiscriminada tem trazido até mesmo problemas de saúde à população local. Como por exemplo, o alto índice de casos envolvendo a silicose no município, conforme comprovado em estudos e teses de mestrados, especialmente, entre os trabalhadores da indústria da pedra.

Lago artificial criado pela mineração. Apesar da água transparente, autoridades municipais alertam que pode haver perigos à saúde.

Outro impacto importante é que, em alguns locais de extração foram criados lagos artificiais, alguns, explorados até turisticamente. Estes locais fornecem uma falsa imagem de que a água contida ali (geralmente empoçada de chuva) seja saudável pelo fato de demonstrar alta transparência, pois acaba sendo filtrada pelas rochas que a contém nestes locais.

No entanto, estas águas aparentemente límpidas podem, ainda assim, conter materiais danosos à saúde, como restos de explosivos usados na mineração, entre outros componentes químicos de uso na extração.

Outro fator importante é que, geralmente após a extração das rochas, não é feita a devida compensação ambiental pelo explorador. E assim, ao serem desativados, estes locais são simplesmente abandonados, com suas montanhas de rejeitos, além de sofrerem com alterações hídricas e paisagísticas irreversíveis, causadas pela extração do quartzito.

- Imagens: Internet/divulgação.

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